Pagamentos realizados pela empresa Fource ao escritório de advocacia de Anna Carolina Noronha, filha do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), somaram R$ 300 mil entre 2020 e 2021. A Fource está sob investigação da Polícia Federal por suspeitas de corrupção envolvendo diferentes esferas do Judiciário.
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Durante o período dos repasses, tramitavam no STJ processos ligados a um fundo de investimentos associado à Fource, sob relatoria do ministro Noronha. Embora Anna Carolina não figure como advogada nessas ações, documentos do Coaf mostram que ela recebeu três pagamentos, totalizando R$ 300 mil, entre fevereiro de 2020 e fevereiro de 2021.
Relatório do Coaf e decisões no STJ
Segundo informações do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), esses pagamentos foram considerados transações atípicas e o documento foi incluído em processo judicial envolvendo disputa comercial na primeira instância. O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso exclusivo a esse relatório.
No âmbito do STJ, Noronha proferiu duas decisões desfavoráveis ao fundo vinculado à Fource, enquanto nos outros dois processos permitiu a desistência dos recursos, conforme solicitado pela parte contrária. O ministro destacou que rejeitou recursos da empresa e só acatou desistências, mas não comentou os pagamentos à filha.
A Polícia Federal também produziu novo relatório para o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicando o interesse dos sócios da Fource nos processos relatados por Noronha.
Investigações e relações familiares
Entre as medidas em curso, a PF analisa quebras de sigilo bancário da Fource e apura conversas de um de seus sócios, Haroldo Augusto Filho, com familiares de ministros do STJ, incluindo Anna Carolina. O ministro Noronha também já utilizou aeronave emprestada por sócio da Fource para deslocamento a evento da OAB em Mato Grosso.
Interlocutores do empresário afirmam que Anna Carolina foi contratada para prestar serviços à Fource no período, mas seu nome não aparece diretamente nos processos. A PF identificou que Noronha proferiu decisão favorável à Bom Jesus Agropecuária, empresa vinculada à Fource, em recurso envolvendo suposta fraude contratual em Mato Grosso.
Nessa decisão, emitida em julho, o ministro determinou que o caso seguisse para a 4ª Vara Cível de Rondonópolis, conforme pedido da Bom Jesus. A parte contrária solicitou que Noronha se declarasse impedido, mas o ministro ainda não analisou essa petição.
O gabinete de Noronha afirmou que a liminar foi concedida com base em precedentes do STJ. “Foi deferida liminar e posteriormente, com base na jurisprudência do STJ, conhecido do conflito para declarar competente o Juízo de Direito da 4ª Vara Cível da Comarca de Rondonópolis (MT) para processar e julgar as medidas relativas aos contratos de parceria rural e venda antecipada de produção agrícola firmados pela empresa Porto Seguro Negócios, Empreendimentos e Participações S.A. em razão de sua vinculação à unidade produtiva isolada alienada no bojo da recuperação judicial”, afirmou em nota.
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Fonte: Revista Oeste
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