A Justiça de Mato Grosso deu prazo de 72 horas para que a Prefeitura de Sapezal explique o cachê de R$ 950 mil pago pelo show da cantora Ana Castela, previsto para 18 de setembro, durante as comemorações dos 31 anos do município.
A decisão foi tomada na quarta-feira 27, depois de um relatório do Ministério Público apontar indícios de sobrepreço na contratação.
Segundo o documento, o valor é até 27% superior ao de outras apresentações recentes da artista no Estado. Em Pedra Preta, em 2024, o cachê foi de R$ 650 mil; em Sorriso, R$ 750 mil; e em Cáceres, já em 2025, R$ 800 mil.
Uma perícia contábil indicou ainda que a média cobrada pela empresa que representa a cantora, a Boiadeira Music LTDA, para shows de 1h30 — mesmo tempo previsto para Sapezal — é de cerca de R$ 750 mil.
O relatório cita também que, em 2024, Ana Castela se apresentou em Campo Novo do Parecis, cidade vizinha, pelo mesmo valor.
“A logística não justifica o preço, considerando o ponto de partida a partir da capital do Estado, a variação de trajeto para Sapezal é da ordem de aproximados 300 km em rodovia asfaltada, diferença incapaz de, por si só, explicar a diferença de valor”, diz trecho do documento.
Diante das informações, o juiz Luiz Guilherme Carvalho Guimarães determinou que a prefeitura se manifeste. Depois da resposta, o caso voltará a ser analisado pela Vara Única de Sapezal.
Além de Ana Castela: shows já foram alvo de indagações em outros Estados

Em julho, o 16º Festival Internacional da Cana-de-Açúcar, conhecido como Pindorecana, foi suspenso temporariamente por decisão da Vara Única de Pindoretama, no Ceará, depois de uma solicitação do Ministério Público estadual. O evento trazia atrações como Wesley Safadão, Taty Girl, Forró Real, Gil Mendes e Tito.
Na época, o Ministério Público do Ceará (MP-CE) informou que a administração municipal contratou cinco artistas sem licitação, o que gerou questionamentos sobre a destinação dos recursos públicos.
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Segundo o MP-CE, o gasto é desproporcional para Pindoretama, cidade de 23 mil habitantes, onde escolas e postos de saúde seguem com reparos pendentes. Mesmo depois de ações judiciais em 2022 e 2023, relatórios recentes da Defesa Civil apontam falhas estruturais em creches e escolas, além de problemas como rachaduras, infiltrações e falta de adequações em UBSs.
Apesar da decisão inicial da Justiça, a festa durou quatro dias e custou R$ 1,6 milhão à Prefeitura de Pindoretama, depois de o TJCE revogar a liminar da Vara Única do município.
Fonte: Revista Oeste
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