A megaoperação deflagrada nesta quinta-feira, 28, contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), que envolveu cerca de 1,4 mil agentes em oito Estados, abriu também um embate político sobre a autoria e a condução das ações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país testemunhou “a maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado de nossa história até aqui” e vinculou os resultados a iniciativas do Governo Federal.
Em publicação nas redes sociais, Lula destacou a atuação coordenada da Polícia Federal, da Receita Federal e de Ministérios Públicos estaduais. “O trabalho integrado — iniciado com a criação, no Ministério da Justiça, do Núcleo de Combate ao Crime Organizado — permitiu acompanhar toda a cadeia e atingir o núcleo financeiro que sustenta essas práticas”, escreveu. Segundo o presidente, o compromisso do governo é “cortar o fluxo de dinheiro ilícito, recuperar recursos para os cofres públicos e garantir um mercado de combustíveis justo e transparente”.
Tarcísio reivindica protagonismo
Enquanto Lula atribuiu o êxito da operação a medidas federais, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também se pronunciou em tom de liderança sobre as ações. Em dois comunicados publicados no X, o governador classificou a Operação Carbono Oculto como “a maior operação da história contra o crime organizado no setor de combustíveis”.
“Não há crime em São Paulo que o Governo do Estado não esteja disposto a enfrentar”, disse. Segundo Tarcísio, o esquema bilionário de lavagem de dinheiro, que envolvia postos, distribuidoras e usinas de etanol, foi desarticulado graças ao trabalho de inteligência das Polícias de São Paulo e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). “Em São Paulo, o crime não vai vencer!”
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Em outra mensagem, o governador classificou a data como um “dia histórico no enfrentamento ao crime organizado” e ressaltou que o trabalho iniciado em São Paulo se expandiu para todo o Brasil. “As facções estão sendo enfrentadas como nunca antes, e a mensagem é clara: em São Paulo, o crime organizado não terá vez!”
Nos vídeos divulgados nas redes sociais, Tarcísio detalhou o histórico de investigações. Segundo ele, desde 2023 o governo paulista atua em áreas onde identifica infiltração do crime organizado, como o transporte público e o setor de combustíveis. “O crime organizado descobriu que lavar o dinheiro por meio do setor de combustíveis era um grande negócio”, disse.
O governador relatou que o esquema envolvia postos, distribuidoras e usinas, com movimentações que chegavam a dezenas de bilhões de reais. “Só de bens bloqueados do Estado de São Paulo, a gente está falando de R$ 7 bilhões”, estimou. “Se fala que esse grupo pode ter fraudado mais de R$ 70 bilhões em impostos.”
Ele também destacou que o trabalho iniciado em São Paulo se expandiu porque parte do combustível adulterado entrava por portos de outros Estados. A operação se estendeu a regiões como Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. “A gente está dando uma demonstração de que não existe lugar que a gente não vá atacar o crime organizado”, disse.
Em outro vídeo, Tarcísio recordou declarações feitas em 2023, quando afirmou que o PCC controlava mais de mil postos de combustíveis. Na época, destacou a necessidade de enfrentar a infiltração no setor. “Um grande trabalho de inteligência começou a partir daí e se espalhou para o Brasil inteiro”, afirmou.
Lula e Tarcísio disputam os louros da operação
As manifestações públicas evidenciam uma disputa de protagonismo entre Governo Federal e Governo de São Paulo. Enquanto Lula enalteceu a criação de estruturas federais como o Núcleo de Combate ao Crime Organizado, Tarcísio ressaltou que a iniciativa nasceu a partir da inteligência do Gaeco e das polícias paulistas, com posterior expansão nacional.
A megaoperação atingiu mais de 350 alvos, como fundos de investimento, postos de combustíveis e usinas. Segundo a Receita Federal, o PCC movimentava bilhões de reais por meio de redes de lavagem que envolveram até fintechs que atuavam como “bancos paralelos”. O prejuízo aos cofres públicos ultrapassa R$ 7,5 bilhões em tributos não pagos.
Leia também: “A ousadia do crime organizado”, reportagem de Edilson Salgueiro publicada na Edição 243 da Revista Oeste
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Fonte: Revista Oeste
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