O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, solicitou a extradição de seu ex-assessor Eduardo Tagliaferro. O homem, que atualmente vive na Itália, foi acusado pela Procuradoria-Geral da República de quatro crimes.

A formalização do pedido ocorreu no início desta semana, antes de o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentar denúncia contra o ex-assessor.

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Tagliaferro virou alvo da investigação depois que a imprensa vazou, em agosto de 2024, conversas que mostravam que o gabinete de Moraes no Supremo ordenou a produção de relatórios pelo Tribunal Superior Eleitoral por mensagens informações. Os documentos embasaram decisões do ministro contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito das fake news de 2022.

Defesa de Tagliaferro fala em perseguição

A defesa de Tagliaferro afirmou ver com indignação “essa perseguição por verdades estarem sendo denunciadas”. “É um incêndio na Amazônia, não apenas uma cortina de fumaça, para tentar esconder os abusos e ilegalidades objeto da vaza toga I e II, sem falar do medo do que mais pode vir”, dizem os advogados.

“Vaza Toga” é o nome dado aos vazamentos de mensagens de magistrados, em referência à “Vaza Jato”, série de reportagens sobre a operação Lava Jato.YouTube video

Nesta sexta-feira, 22, a PGR denunciou Tagliaferro por quatro crimes: violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito. Ele havia sido indiciado em abril pela Polícia Federal. O relator é o próprio Moraes.

No momento do indiciamento, Tagliaferro negou qualquer irregularidade. Sua defesa declarou que “ele reitera, categoricamente, que não foi responsável pelo suposto vazamento”.

Para a PGR, Tagliaferro “revelou informações confidenciais que obteve em razão do cargo ocupado, com o fim de obstruir investigações e favorecer interesse próprio e alheio”.

Denúncia sobre atuação no exterior

O ex-assessor prepara uma denúncia contra Moraes no Parlamento Europeu. A Procuradoria afirma que a saída dele do país demonstra suposto alinhamento com a organização criminosa ligada aos “atos antidemocráticos”.

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Na denúncia, a PGR destacou que “o anúncio público recente (30.07.2025), em Estado estrangeiro, da intenção de revelar novas informações funcionais sigilosas, lançando, inclusive, campanha de arrecadação de recursos para financiar o seu intento criminoso, atende ao propósito da organização criminosa de tentar impedir e restringir o livre exercício do Poder Judiciário”.

O documento acrescenta: “Está clara a adesão ao objetivo de incitar novos atos antidemocráticos e provocar disseminação de notícias falsas contra a Suprema Corte”.

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Fonte: Revista Oeste

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