A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) se reúne nesta terça-feira, 26, para aprovar seu plano de trabalho. As informações são do portal Metrópoles.

O encontro inaugura a fase deliberativa do colegiado, que já havia sido formalmente instalado em 20 de agosto. As sessões seguintes ocorrerão sempre às segundas e quintas-feiras, em horários que não interfiram nos dias de votação no Congresso.

A medida busca evitar manobras de obstrução por parte da base governista, segundo explicou o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG).

A formação da cúpula da comissão expôs a fragilidade da articulação do governo Lula. Mesmo depois de um acordo informal que previa a presidência do senador Omar Aziz (MDB-AM), a oposição conseguiu reverter os votos e colocar Carlos Viana no comando.

O relator também foi trocado de última hora. Nesse sentido, saiu Ricardo Ayres (Republicanos-TO), indicado pela base aliada, e entrou o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL).

“Subestimamos a capacidade de mobilização da oposição”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso. “Todo time tem partidas perdidas em campeonatos, agora o time vai se reorganizar.”

Na tentativa de conter danos, o Planalto convocou uma reunião emergencial com ministros e líderes aliados. O encontro ocorreu na véspera da primeira sessão deliberativa da comissão e foi coordenado por Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais.

Também participaram Sidônio Palmeira (Secom), Rui Costa (Casa Civil) e Wolney Queiroz (Previdência). A estratégia definida envolve dividir o noticiário com o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, marcado para 2 de setembro.

Aliados do governo apostam que o impacto da CPMI será menor do que o da CPI da Covid. O argumento é que, fora do contexto de pandemia, a mobilização popular tende a ser mais baixa.

CPMI deve votar 35 requerimentos; oposição prepara ofensiva

A primeira sessão da comissão vai analisar pelo menos 35 requerimentos. Entre eles, estão convocações de ex-ministros, ex-presidentes do INSS e acesso a inquéritos policiais. A meta, segundo o relator Alfredo Gaspar, é “seguir o caminho do dinheiro”.

Para ele, os crimes investigados podem gerar penas superiores a 30 anos. A oposição quer esclarecer os bastidores do esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.

Estão na mira dos parlamentares:

  • Eliane Viegas Mota, diretora de Auditoria de Previdência e Benefício da Controladoria-Geral da União;
  • Bruno Oliveira Pereira Bergamaschi, delegado da Polícia Federal;
  • Patrícia Bettin Chaves, coordenadora da Câmara de Coordenação e Revisão Previdenciária da Defensoria Pública da União;
  • José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho;
  • Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência Social;
  • Marcelo Caetano, ex-secretário da Previdência do Ministério da Fazenda;
  • Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência;
  • Lindolfo Sales, ex-presidente do INSS;
  • Renato Vieira, ex-presidente do INSS;
  • Leonardo Rolim, ex-presidente do INSS;
  • Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS;
  • Elisete Iwai, ex-presidente do INSS;
  • Guilherme Serrano, ex-presidente do INSS;
  • Glauco Wamburg, ex-presidente do INSS;
  • Leonardo Gadelha, ex-presidente do INSS;
  • Edison Garcia, ex-presidente do INSS;
  • Francisco Lopes, ex-presidente do INSS.

Comissão ainda discute composição completa

A vice-presidência da comissão ainda não foi definida. Carlos Viana afirmou que a escolha dependerá de consenso entre os membros. Caso contrário, a decisão sairá em até três semanas.

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Com base frágil, o governo tenta ganhar tempo. Mas, com sessões marcadas e requerimentos prontos para votação, a CPMI já virou uma frente de desgaste inevitável para o Planalto.

Fonte: Revista Oeste

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