Mensagens obtidas com exclusividade por Oeste revelam que parlamentares atuaram como informantes do gabinete paralelo montado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso ocorreu depois das eleições de 2022.
Em 5 de novembro daquele ano, o juiz Airton Vieira, assessor judicial de Moraes no STF, contou em um grupo de WhatsApp que havia recebido do deputado federal Nereu Crispim (PSD-RS) um vídeo publicado no perfil da atriz Regina Duarte. Ao encaminhar a mensagem, Vieira escreveu: “Se acharem que devem derrubar… rsrsrs”. Apesar do pedido, a conta da atriz não sofreu bloqueio.

Confira o vídeo publicado por Regina Duarte
Não foi a única vez que Crispim atuou como colaborador: em outras ocasiões, o parlamentar também deu munição ao gabinete paralelo. “Eduardo, veja o que podemos fazer”, escreveu Vieira, ao citar uma publicação nas redes sociais. Não foi possível identificar o alvo do monitoramento. “Recebi do deputado federal Nereu Crispim”, acrescentou Vieira. “É absurdo!”


Alexandre Frota ajudou o gabinete paralelo de Alexandre de Moraes
Em 12 de novembro de 2022, Vieira relatou uma nova colaboração. Desta vez, o denunciante foi o então deputado federal Alexandre Frota, filiado ao PSDB. O material enviado pelo parlamentar era um tuíte do deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP). “É uma diplomação histórica…zero de legitimidade e recorde de membros do PCC se adulando”, dizia a postagem. Logo depois de encaminhar o link no grupo de WhatsApp, Vieira disse: “É muito grave a fala desse deputado. Recebi do deputado federal Alexandre Frota. Tem a ver com a diplomação. Acho que o assunto pode ser do TSE.”


Dois dias depois, enquanto o gabinete paralelo discutia eventual bloqueio das contas do cantor gospel Davi Sacer, Vieira disse que recebeu outro material enviado por Frota. Não se sabe o que havia nas mensagens. “Nossa, vai ser terrível”, escreveu Tagliaferro, ao desaconselhar a punição a Davi Sacer. “Se preparem kkk.”


O que é a Vaza Toga
As informações e os documentos divulgados nesta reportagem, obtidos por Oeste com exclusividade, acrescentam novos e graves detalhes aos fatos que começaram a vir à luz a partir das revelações contidas em reportagens publicadas inicialmente pelo jornal Folha de S. Paulo, no que ficou conhecido como Vaza Toga.
As primeiras denúncias foram feitas por Glenn Greenwald e Fábio Serapião, conforme registrado pela Oeste.
Novos documentos comprometedores vieram à tona em apuração de David Ágape e Eli Vieira, publicadas no site Public.
Leia mais sobre a Vaza Toga 3
Fonte: Revista Oeste
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