Em entrevista ao programa Faroeste à Brasileira, da Revista Oeste, nesta terça-feira, 26, o pastor Silas Malafaia afirmou que não se sente “intimidado por ditadores” e que continuará “falando”.
Malafaia deu a declaração ao comentar a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou na apreensão do seu celular e passaporte, além da proibição de contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Moraes também incluiu o nome do pastor no inquérito que apura suposta coação contra autoridades envolvidas no processo da “trama do golpe”, que tem Jair Bolsonaro entre os réus.
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Agentes da Polícia Federal (PF) abordaram Malafaia no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, na noite da quarta-feira 20. Na ocasião, os policiais também apreenderam cadernos escritos à mão, nos quais o pastor costuma registrar seus sermões religiosos.
“É uma vergonha o cara apreender meus esboços de mensagens, impedir a minha saída do país, quando qualquer jurista sabe que só se apreende o passaporte mediante risco iminente de fuga”, disse Malafaia durante a entrevista. “Eu estava chegando do exterior depois de seis dias das notícias vazadas de conversas minhas. Se eu tivesse que fugir, ficaria em Portugal ou iria para a América, onde tenho igreja.”
“Se foi por uma questão de intimidação, não deu certo porque eu não tenho medo”, continuou o pastor. “Não tenho medo de ser preso, não me sinto intimidado por ditadores e vou continuar falando.”
Perseguição política e religiosa
Questionado sobre semelhanças entre o Brasil e o regime da Nicarágua, Malafaia lembrou que a perseguição religiosa é uma consequência da perseguição política.
“Os religiosos são perseguidos porque se manifestam pelo direito à cidadania, então a perseguição chegou até a minha pessoa”, afirmou.
O pastor destacou ainda diversas violações cometidas pelo ministro Alexandre de Moraes no curso dos processos envolvendo os atos do dia 8 de janeiro de 2023.
“Quando Alexandre de Moraes rasga a Constituição, ele é um criminoso”, ressaltou Malafaia. “Alexandre de Moraes instituiu o crime de opinião presidindo um inquérito imoral e ilegal de ‘fake news’. Imoral e ilegal porque não tem a participação do Ministério Público.”
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“Ele também impede que brasileiros tenham acesso ao duplo grau de jurisdição, isto é, de recorrer a outras instâncias”, pontuou. “Ele inventa uma história de golpe para impedir que donas de casa e que trabalhadores sejam julgados nas instâncias inferiores, como foram Lula e toda quadrilha do PT.”
O pastor também citou a ofensiva do ministro contra parlamentares por críticas ao STF. “Está aí o Daniel Silveira”, declarou. “Tem brasileiros exilados, isso é uma vergonha. Crime de opinião no Estado Democrático de Direito.”
Malafaia critica “direita vagabunda e prostituta”
O pastor Silas Malafaia teceu duras críticas a uma parte da direita que, segundo o religioso, “se vende por cargo”.
“Centro-direita é maioria na Câmara e no Senado, mas tem um detalhe, temos uma direita prostituta e vagabunda que se vende por cargo”, afirmou. “Este é o nosso problema.Por que está acontecendo tudo isso? Porque temos um grande parte da direita que é vagabunda.”
Em seguida, o pastor ressaltou a importância das próximas eleições para renovar o Congresso Nacional e parte dos parlamentares da direita.
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Fonte: Revista Oeste
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