A cenário político internacional ganhou um novo capítulo de tensão e alianças inusitadas. Jason Miller, um dos conselheiros mais próximos do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, fez uma declaração que repercutiu fortemente no Brasil: ele afirmou que não vai parar até ver o ex-presidente Jair Bolsonaro “livre”. A fala, carregada de tom combativo, reacende o debate sobre o futuro político de Bolsonaro e a influência de figuras internacionais no cenário brasileiro.

A declaração foi feita nesse nesse domingo 10 de agosto em sua rede social X, ele afirmou: “Não vou descansar até que Jair Bolsonaro esteja livre. É o mínimo que podemos fazer por alguém que sempre lutou pela liberdade e pela democracia em seu país”, disse Miller, sob aplausos da plateia.

A fala de Miller vem em um momento delicado para Bolsonaro, que enfrenta uma série de investigações e restrições judiciais. O ex-presidente está impedido de disputar cargos eletivos até 2030, em razão de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e responde a inquéritos no Supremo Tribunal Federal, incluindo o caso que apura suposta tentativa de golpe de Estado.

Um histórico de proximidade

Jason Miller não é um nome qualquer no círculo político norte-americano. Estrategista e consultor de comunicação, ele esteve ao lado de Donald Trump durante a campanha presidencial de 2016 e continua como uma das vozes mais influentes no movimento “Make America Great Again” (MAGA). No Brasil, Miller já esteve em contato com Bolsonaro e sua equipe em diferentes ocasiões, inclusive durante a campanha de 2022.

A relação entre as famílias Trump e Bolsonaro é conhecida. Donald Trump e Jair Bolsonaro trocaram elogios públicos em diversas oportunidades, e o próprio presidente americano já manifestou apoio ao brasileiro em momentos de crise. O discurso de Miller, portanto, reforça uma conexão que vai além de afinidades ideológicas, envolvendo também alianças estratégicas e interesses políticos comuns.

Conflito com Alexandre de Moraes

A animosidade de Jason Miller com o ministro Alexandre de Moraes remonta a setembro de 2021, quando o conselheiro de Trump foi detido no aeroporto de Brasília a mando do magistrado. Na ocasião, Miller participava da CPAC em Brasília e, ao tentar deixar o país, foi impedido por determinação judicial para prestar depoimento no inquérito das “milícias digitais”, que investiga a disseminação de informações falsas e ataques às instituições democráticas.

O episódio provocou uma crise diplomática, com críticas de apoiadores de Trump e Bolsonaro à atuação de Moraes. Desde então, Miller passou a se referir ao ministro como símbolo de autoritarismo no Brasil, e o discurso mais recente reforça essa narrativa.

Repercussão política

A declaração de Miller foi celebrada por aliados de Bolsonaro e setores da direita brasileira, que enxergam nela um sinal de apoio internacional ao ex-presidente. Parlamentares e influenciadores conservadores destacaram o peso político do conselheiro, especialmente por sua proximidade com Donald Trump.

Por outro lado, críticos apontam que a fala representa uma interferência indevida nos assuntos internos do Brasil. Para esses setores, a tentativa de pressionar decisões judiciais brasileiras por meio de apoio internacional configura desrespeito à soberania nacional.

Um movimento maior?

Analistas políticos avaliam que a postura de Miller pode fazer parte de um esforço coordenado para fortalecer a narrativa de que Bolsonaro é vítima de perseguição judicial, preparando o terreno para uma eventual campanha política futura. Essa estratégia também dialoga com a base eleitoral de Trump, que vê no ex-presidente brasileiro um aliado ideológico na luta contra governos de esquerda e instituições consideradas “globalistas”.

A aproximação entre figuras políticas conservadoras dos dois países não é inédita, mas ganha novo fôlego em um contexto de polarização crescente e de eleições presidenciais se aproximando tanto no Brasil (2026) quanto nos Estados Unidos (2028).

Enquanto isso, Bolsonaro segue em silêncio sobre a declaração de Miller, mas aliados próximos já indicaram que o apoio internacional é bem-vindo. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar, mas continua como figura central no debate político brasileiro, sendo citado como possível articulador e apoiador de candidaturas nas próximas disputas eleitorais.

Desafios pela frente

Apesar da demonstração de apoio de Miller e de outros aliados estrangeiros, a situação jurídica de Bolsonaro permanece complexa. Além da inelegibilidade, o ex-presidente responde a investigações que podem resultar em novas punições, inclusive de caráter criminal. Advogados e aliados tentam reverter ou minimizar esses processos, mas a tendência é de que as batalhas judiciais se estendam por anos, mesmo que a opinião pública julgue tais medidas como ilegais e autoritárias, por parte da suprema corte.

Seja qual for o desfecho, a fala de Jason Miller mostra que o destino político de Jair Bolsonaro não é uma questão restrita às fronteiras brasileiras. Ao se comprometer publicamente a lutar por sua “liberdade”, o conselheiro de Trump insere o tema na agenda do conservadorismo internacional, ampliando a pressão sobre as instituições brasileiras e adicionando um ingrediente de tensão às já turbulentas águas da política nacional.

O Brasil, mais uma vez, se vê no centro de uma disputa política que atravessa fronteiras, com narrativas, interesses e estratégias que misturam o cenário interno com o tabuleiro geopolítico global.

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