A defesa da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) acusou o governo Lula de pressionar autoridades italianas para manter a parlamentar presa em Roma. Segundo o advogado Fabio Pagnozzi, o processo de extradição se transformou em um “julgamento político”.

“Esse é mais um resultado do governo brasileiro forçando as autoridades italianas”, disse Pagnozzi à CNN Brasil. “Mas a defesa está muito convicta de que nós vamos conseguir tirar a Carla do sistema prisional.”

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Durante a audiência realizada nesta quarta-feira, 27, os representantes da deputada alegaram perseguição e fragilidade de saúde da cliente. O governo brasileiro participou da sessão por meio de um representante oficial, responsável por reforçar o pedido de extradição.

Apesar dos argumentos da defesa, a Justiça da Itália decidiu manter a prisão preventiva de Zambelli na Penitenciária de Rebibbia, em Roma.

Segundo o juiz responsável, há “alto perigo de fuga” por parte da parlamentar brasileira. Zambelli tentava migrar para o regime domiciliar, em um apartamento nos arredores da capital italiana.

O processo de extradição segue agora no Ministério do Interior da Itália, equivalente ao Ministério da Justiça do Brasil, e pode durar vários meses.

Laudo médico defende manutenção da prisão de Zambelli

O parecer judicial teve como base um laudo médico de 19 páginas, encomendado pelas autoridades italianas.

Assinado pela especialista em medicina legal Edy Febi, o documento conclui que Zambelli tem condições físicas e mentais de permanecer no sistema prisional, inclusive com possibilidade de tratamento terapêutico regular.

A médica italiana levou em conta o diagnóstico de transtorno depressivo e a Síndrome de Ehlers-Danlos, que afeta músculos e articulações. No entanto, avaliou que o quadro clínico da deputada não representa risco de morte.

“Durante a entrevista, a paciente parecia geralmente lúcida, apropriada e adequada às circunstâncias, embora com humor deprimido e distúrbios do sono”, diz trecho do relatório médico. “Essas condições foram tratadas especificamente e são constantemente revisadas durante visitas psiquiátricas periódicas.”

Febi também afirmou que a greve de fome iniciada por Zambelli “não constitui impedimento” para sua permanência no presídio, uma vez que há hidratação e uso regular de medicamentos. O parecer ainda concluiu que a parlamentar pode ser extraditada ao Brasil por via aérea, desde que acompanhada por equipe médica.

Zambelli está presa desde 29 de julho. Em maio deste ano, a Justiça brasileira a condenou a dez anos de prisão por envolvimento com a invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, em parceria com o hacker Walter Delgatti.

Fonte: Revista Oeste

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